A CAMISETA AZUL 

Segunda-feira, 8:00 horas da manhã, um senhor acaba de acordar para ir ao trabalho. Espreguiça-se, sentado na beira de sua cama, dirige-se ao banheiro para o “toilete” matinal e, ao acender a lâmpada daquele cômodo, ouve um grande estrondo e é imediatamente incinerado pela explosão da primeira bomba atômica lançada pela força aliada, durante a fase final da Segunda Grande Guerra Mundial. Era o dia 06/08/1945 que raiava em Hiroshima, no Japão. 

Aquele cidadão japonês, provavelmente, morreu achando que a culpa foi dele, pois a detonação ocorreu no mesmo instante em que ele acionou o interruptor para acender a lâmpada do banheiro que iria utilizar. 

Será que os 7 gols marcados pela Seleção Alemã no último dia 8 lá no Mineirão foi culpa minha? 

Explico: 

Quando o Brasil enfrentou o Chile, que foi o jogo mais sofrido (prorrogação e disputa nos pênaltis), eu estava usando uma camiseta azul, que havia colocado pois era a que estava por cima de todas as demais camisetas em minha gaveta de roupas. Coloquei tal camiseta despretensiosamente. 

Quando acabou o jogo, sai de casa e fui a um supermercado para comprar alguns itens que estavam faltando em casa e pude reparar que os funcionários e a maioria dos clientes ostentavam camisetas alusivas às cores da Seleção Brasileira (amarelo ou azul). Notei, então, que minha camiseta, despretensiosamente escolhida, era azul e o azul dela é no mesmo tom do segundo uniforme da Seleção Canarinho. Eu ostentava o “orgulho” brasileiro, também. Mera coincidência, viu!! 

O jogo seguinte, já pela fase do “mata-mata” da Copa do Mundo, foi contra a Colômbia e, como na data anterior, deixei o escritório e fui para casa mais cedo para me preparar e assistir ao jogo com minha esposa. Ao me trocar (tirei a roupa com que fui trabalhar), sem perceber, coloquei a mesma camiseta azul que estava por cima de todas as demais em minha gaveta de roupas. É que minha esposa havia lavado a dita cuja e recolocado na gaveta, por cima das demais. Por óbvio, peguei a que estava mais fácil. Nossa Seleção Canarinho ganhou o jogo e avançou para as Semifinais. Somente quando acabou o jogo, percebi que a camiseta era a mesma que havia utilizado durante o jogo anterior. 

Chegaram, afinal, as Semifinais e mais uma vez, me preparei para assistir ao “jogão”, afinal era contra a poderosa Alemanha, que havia perdido para o Brasil, há 12 anos, na Copa do Japão e Coréia. Nesse dia não me troquei pois como seria feriado no dia seguinte e não havia compromissos profissionais mais sérios, optei por uma roupa mais confortável que o tradicional paletó e gravata. 

Antes do início do jogo, comentei com minha esposa que não estava com a camiseta azul que, coincidentemente, havia colocado para assistir aos 2 jogos anteriores e disse que não iria me trocar pois não sou supersticioso. Aos 10 minutos o Brasil foi sacudido com o primeiro gol da esquadra alemã. Não demorou para que o segundo gol surgisse. Nesse momento, minha esposa me disse: “- Acho que você tem que colocar a camiseta azul.”. Ainda assim não deixei o jogo, enquanto isso ela ia até a cozinha preparar um chá. Enquanto ela estava na cozinha preparando seu chá, gritei na sala, chateado pelo terceiro gol alemão. Ela correu para sala não acreditando nisso, quando, em seguida, vem o quarto gol. Ela me disse, corre e troca de camiseta. 

Corri ao quarto e lá estava, na minha gaveta de roupas, sobre todas as demais camisetas, a camiseta azul. Desci correndo as escadas para continuar assistindo ao jogo, na esperança que com a camiseta azul no corpo nossa Seleção virasse o jogo e marcasse os quatro gols necessários para empatar o jogo e começar tudo de novo, afinal eram apenas 25 minutos do primeiro tempo. Havia, ainda, muiiiiiiito tempo de jogo. 

Hunff. Quando retornei para a sala o 5ª gol já estava assinalado. 

Quando acabou o jogo (7 a 1 para os alemães), fiquei pensando: Se eu tivesse colocado a camiseta azul, nossa seleção teria passado para as finais da Copa do Mundo. Ou não, no pior dos quadros, teria perdido de 2 a 1, o que não seria tão vergonhoso e humilhante assim, né? 

Estou me sentindo como aquele cidadão japonês que detonou a primeira Bomba Atômica do mundo!!

 

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